Emmy 2013 – um Top 5 dos acertos e dos erros

Emmy

Não tem jeito, todo ano é a mesma coisa: saem os indicados ao Emmy e o que mais se ouve são xingamentos. Mas não deve ser fácil ser membro da Academia – e está cada vez mais difícil, considerando que a cada ano aumenta o número de séries (ruins e boas) e há cada vez mais “players” no mercado (Hello, Netflix! Hello, Amazon!). Por isso, talvez uma solução interessante seja aquela feita pelo Tim Goodman, crítico de TV da Hollywood Reporter: aumentar o número de indicados em algumas categorias. Se até o Oscar já indica dez filmes na categoria principal, por que não fazer o mesmo no Emmy? Não necessariamente para melhor drama e melhor comédia, mas principalmente os roteiristas e diretores agradeceriam (e mereceriam) ter uma maior chance de reconhecimento – afinal, se, por exemplo, existirem 50 séries dramáticas em uma temporada, cada uma tendo de 10 a 22 episódios, é só fazer a conta: são cerca de mil roteiros e direções concorrendo a apenas cinco vagas. Vale lembrar que o próprio Emmy já vem esticando um pouco o número de indicados, chegando a sete em algumas categorias (curiosamente, todas para atrizes – será que tem mais atriz boa que ator?).

Dito isso, eu mesmo fiquei revoltado quando acordei nesta quinta e não li o nome da Tatiana Maslany (“Orphan Black”) entre as SETE indicadas a melhor atriz em série dramática. Isso só prova que o preconceito dos votantes com séries de ficção-científica segue a pleno vapor (lembrem-se de que séries fenomenais e icônicas como “Battlestar Galactica”, “Buffy, a Caça-Vampiros” e a mais recente “Fringe” foram quase que completamente ignoradas pelo Emmy). A lista também mostra que é muito mais fácil ganhar uma indicação se você já tem uma carreira estabelecida no cinema (ou na própria TV) do que quando se é um novato, e por isso nomes como Kevin Spacey, Vera Farmiga, Robin Wright, Matt LeBlanc e até, pasmem, o canastríssimo Harry Hamlin, foram lembrados (alguns merecidamente, vale dizer) enquanto outros como Corey Stoll, Kevin Rahm e a própria Maslany não. Por outro lado, também não dá pra dizer que os caras só erraram – tem muita indicação que surpreendeu positivamente, como o grande amor despejado em “House of Cards”, por exemplo, ou as várias indicações para a melhor comédia da temporada, “Veep”.

Como tem muito erro e acerto, vou listar aqui apenas as cinco omissões que, na minha opinião, foram as mais grotescas e imperdoáveis. Nem vou entrar no mérito de séries como “Banshee” e “The Newsroom” que, embora eu adore e estejam entre as minhas preferidas da atualidade, já sabia que não seriam lembradas por serem polêmicas ou “polarizadoras” demais (nem de “Smash”, que só quem gosta de musical da Broadway gostou). Também não vou falar de séries que eu ainda não consegui ver, como a elogiadíssima “Rectify” ou as eternamente ignoradas “Sons of Anarchy” e “Parenthood”. E nem vou falar pela enésima vez da injustiça que é nunca indicarem “Community” (principalmente nessa que foi a temporada menos excelente da série) e “Shameless” (especialmente a Emmy Rossum). Para ser justo, vou comentar também as cinco melhores surpresas positivas  da lista.

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TOP 5 Omissões Mais Imperdoáveis

tatiana-maslany-orphan-black1. Tatiana Maslany, “Orphan Black”

Depois que ela ganhou o Critics´ Choice Awards no mês passado, todo mundo “da área” tinha certeza da indicação pra moça, e a grande dúvida era se ela conseguiria desbancar a queridinha Claire Danes e levar o prêmio. No entanto, nem indicação rolou pra esta atriz canadense que dá um show fazendo nada menos que SETE (e contando) personagens diferentes nessa série mista de sci-fi e policial do canal BBC America.

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corey stoll2. Corey Stoll, “House of Cards”

Outro que era considerado uma barbada, ainda mais com tantas indicações que a série do Netflix recebeu (na verdade o mais esperado era que a indicação dele fosse talvez a única da série). Uma pena não reconhecerem uma interpretação tão impressionante como a que Stoll (o Ernest Hemingway de “Meia-Noite em Paris”) apresentou como Peter Russo, um atormentado deputado e pai de família lutando contra vários demônios e buscando uma redenção, com fim trágico.

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the americans3. “The Americans” (a série) e seus protagonistas, Matthew Rhys e Keri Russell

Em uma temporada que guardou o melhor pra uma fortíssima segunda metade (“Hannibal”, “Bates Motel”, “Banshee”, “House of Cards”, além de temporadas brilhantes de “Mad Men” e “Game of Thrones”), talvez a melhor estreia tenha sido esta série de espionagem e suspense que conseguiu ser mais surpreendente e verossímil que a 2ª temporada de “Homeland”, mesmo se passando nos anos 80 e mostrando agentes da KGB infiltrados nos EUA, vivendo como locais e abusando de disfarces e perucas. Mérito do roteiro, é claro, mas principalmente do inusitado e afinadíssimo casal protagonista.

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andrew lincoln4. Andrew Lincoln, “The Walking Dead”

Tudo bem que poucos esperavam que a série, outro exemplo de um gênero normalmente esnobado pela Academia, fosse indicada (embora merecesse), mas o Emmy deve uma indicação pra esse ator inglês faz tempo, e este ano mais do que nunca. Só a cena dele recebendo a notícia da morte da mulher já valeria um lugar entre os finalistas. Mas não foi só isso – Rick ainda enfrentou diversos demônios na terceira temporada, bem mais difíceis que os zumbis: o fantasma da mulher, o peso da liderança, o cruel Governador (falando nisso, outro que merecia uma indicação como coadjuvante era o David Morrissey, o caolho mais sinistro da TV).

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new-girl5. “New Girl” (a série) e seus atores Zooey Deschanel, Jake Johnson e Max Greenfield

Se a série teve cinco indicações no ano passado com uma primeira temporada irregular que começou bem mas foi se perdendo, como explicar ela não ter NENHUMA indicação este ano, quando finalmente acertou o tom e o ritmo e se tornou a melhor comédia exibida atualmente em um canal aberto (tirando, claro, a finada e saudosa “30 Rock”, a criminosamente cancelada e desprezada “Happy Endings”, e “Community”, que teve uma temporada ligeiramente inferior às anteriores)? E como indicar a gracinha da Zooey Deschanel numa temporada em que ela abusou tanto da “adorkability” que chegou a irritar e não indicá-la no ano em que ela finalmente atingiu o equilíbrio certo pra personagem? Max Greenfield continuou fazendo esse ano as mesmas coisas que garantiram a ele uma indicação em 2012 – por que os atores de “Modern Family” podem ser indicados ano após ano e ele não? Difícil entender. Mas talvez a maior sacanagem aqui tenha sido não reconhecer o grande responsável pela melhora considerável da série: o Nick de Jake Johnson, que se tornou o protagonista masculino da série ao assumir o amor pela “garota nova”.

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bunheads1Menção honrosa: “Bunheads”

As chances eram mínimas, eu sei, mas eu realmente tinha esperança de que sobrasse alguma indicação pra melhor combinação de comédia, drama, romance, dança, adolescentes, diálogos rápidos e cheios de referências, astros da Broadway e coadjuvantes de “Gilmore Girls” já exibida na TV (pelo menos pra Sutton Foster), e que isso estimulasse o canal ABC Family a finalmente confirmar a segunda temporada da série. Não rolou. Mas tudo bem – desde que a série seja renovada mesmo assim. Come on, ABC Family!

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TOP 5 Surpresas Mais Agradáveis

VEEP_201_LT_12_4_0298.JPG1. “Veep” (a série) e os coadjuvantes Tony Hale e Anna Chlumsky

A melhor comédia do ano, disparado e sem discussão, e vê-la entre as indicadas foi um alívio. E se a indicação pra protagonista Julia Louis-Dreyfus era barbada (ela ganhou ano passado e acaba de bater o recorde de indicações ao Emmy pra uma mesma atriz, 13, que antes pertencia a ninguém menos que Lucille Ball), o mesmo não se pode dizer dos coadjuvantes. Tony Hale podia ter sido indicado também por “Arrested Development”, mas ele se destaca mais aqui, como o assistente mais íntimo da vice-presidente Selina Kyle. E a Anna Chlumsky brilha como a assessora desiludida e normalmente eficiente, e mal deixa a gente lembrar que ela era a garotinha que comovia no filme “Meu Primeiro Amor”.

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house-of-cards2. “House of Cards”

A primeira experiência do Netflix como produtor de conteúdo (sem contar aquela série mais modesta com o Steve Van Zandt que passou meio em branco no ano passado) se mostrou um grande sucesso de público e de crítica, e foi coroada com as várias indicações pra essa brilhante série política com roteiro incrível e atuações melhores ainda. Sem dúvida um grande estímulo pros caras continuarem caprichando.

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emilia clarke - breakfast at tiffanys13. Emilia Clarke, “Game of Thrones”

Ah, Khaleesi, minha rainha… Talvez a única personagem (além de Tyrion Lannister) capaz de agradar e unir gregos e troianos no mundo de Westeros, teve cenas incríveis mesmo em uma temporada bastante dividida em inúmeros focos de ação (e “inação”) concomitantes. EM TEMPO: falando em “GoT”, faltou uma indicação pra Michelle Fairley, ainda que eu não gostasse da Catelyn Stark até a cena derradeira dela, uma das melhores e mais impressionantes exibidas na TV em todos os tempos. E ainda que uma indicação pro sempre fantástico Peter Dinklage seja sempre bem-vinda e merecida, a terceira temporada foi toda do Nicolaj Coster Waldau, que transformou o odioso Jamie Lannister em um personagem humano e (por que não?) justo, e pelo qual foi possível torcer. Faltou uma indicação pra ele.

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Mandy-Patinkin-Homeland4. Adam Driver, “Girls” / Mandy Patinkin e Morena Baccarin, “Homeland” / Jeff Daniels, “The Newsroom”

Não que estas indicações tenham sido exatamente surpresas, mas foi um grande alívio ver que algumas das melhores atuações do ano não passaram batido, especialmente Mandy Patinkin, que carregou “Homeland” nas costas enquanto os protagonistas foram viver uma história de amor e fazer coisas absurdas, e Adam Driver, que faz em “Girls” um personagem tão complexo e cheio de nuances (mas que ao mesmo tempo poderia cair facilmente num “douchebag” típico) e estranhamente se tornou o melhor personagem de uma série teoricamente sobre garotas (ambos, aliás, devem ganhar suas respectivas categorias).

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???????????????5. “Top of the Lake” (a minissérie) e sua protagonista, Elisabeth Moss

Bem legal ver entre as indicadas essa bela e estranha minissérie do Sundance Channel (que também fez esse ano a já citada “Rectify”), uma mistura de “The Killing” com “Twin Peaks”, e principalmente ver Elisabeth Moss indicada duplamente por dois papeis bastante diferentes.

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30 rockMenção honrosa: “30 Rock” (série) e seus atores Alec Baldwin, Tina Fey e Jane Krakowski

Não exatamente uma surpresa, mas ainda bem que a última temporada de uma das melhores comédias de todos os tempos não passou em branco (especialmente a lembrança à Jane Krakowski, que não vinha sendo indicada nos últimos anos).

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Pra ver a lista com os indicados nas categorias principais, clique aqui.

Sobre rodrigohaddad

Rodrigo Haddad é advogado, escritor, ator e diretor de teatro
Esse post foi publicado em Prêmios, TV e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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