Os dramas da fall season, parte um: Masters of Sex, Hostages e The Blacklist

Neste fim-de-semana eu consegui assistir os dois primeiros episódios de alguns dos dramas que estrearam na fall season da TV americana, então já me sinto habilitado a falar deles. Pra variar, a melhor das séries novas não está nas redes abertas, mas sim em um canal a cabo: “Masters of Sex” (Showtime) é mais um drama de época, só que dessa vez o nível chega bem perto da precursora “Mad Men” tanto em termos de clima e ambientação quanto na qualidade do roteiro e das interpretações (ao contrário de outras tentativas frustradas e frustrantes como as finadas “Pan Am” e “The Playboy Club”). Baseada em fatos reais, a série conta a história de um respeitado médico que, nos anos 50, foi responsável pela primeira grande pesquisa científica sobre a sexualidade humana. No episódio-piloto, vemos como o premiado ginecologista Dr. William Masters (o ótimo ator inglês Michael Sheen, mais conhecido por ter feito o Primeiro-Ministro britânico Tony Blair no cinema e no teatro) convenceu o dono do hospital onde trabalhava (Beau Bridges) a apoiar sua controversa pesquisa, que envolvia a observação de casais no ato sexual,  com a ajuda de sua assistente Virginia Johnson (Lizzie Caplan, eterna coadjuvante de luxo em séries como “The Class”“True Blood”“New Girl”“Party Down” e outras). Um dos grandes méritos da série é contar de forma extremamente natural uma história que poderia facilmente se tornar apelativa ou forçada; outro é finalmente dar um papel decente e de protagonista pra excelente Caplan – a interpretação dela como uma ex-cantora de cabaré divorciada duas vezes e bem avançadinha pra época é desde já forte candidata ao Emmy do ano que vem. A série estreia na HBO brasileira nesta terça (dia 7), às 21h, e é imperdível.

MASTERS OF SEX (SEASON 1)

Mudando pros canais abertos, ainda não consegui decidir se gostei ou não de “Hostages” (CBS). A série é mais uma adaptação de um original israelense (assim como “Homeland” e “In Treatment/Sessão de Terapia”) e tem uma premissa sensacional: uma médica (Toni Colette, que compete com a Chlöe Sevigny pelo troféu “Mais Esquisita de Hollywood”) é escalada pra extrair um tumor do pulmão do presidente dos Estados Unidos e, na noite anterior à delicada cirurgia, é feita refém em sua própria casa, junto com o resto da família. Os sequestradores, é claro, querem que ela mate o paciente ilustre; caso ela não faça isso, os familiares pagarão com as próprias vidas. Detalhe: o líder dos supostos bandidos (Dylan McDermott) é um agente (do FBI, talvez? Isso não fica muito claro) especializado em negociar com sequestradores, como vemos na primeira cena do episódio, em que ele resolve um assalto a banco na raça. Eletrizante, certo? Pois é. Se fosse só isso, seria incrível: será que ela vai matar o presidente? O que será que levou esse cara a fazer uma coisa dessas? O que vai acontecer depois da cirurgia (independente do resultado)? Muitas perguntas e situações que já dariam uma bela série de suspense e ação. Só que, talvez por medo de faltarem conflitos, os roteiristas resolveram colocar todas as situações possíveis na mesma história. Então não dava pra médica ter uma família comum; não, o marido tem que ter uma amante, a filha tem que estar grávida (sem ninguém saber), o filho tem que traficar drogas – só falta daqui a pouco descobrirem que a mulher na verdade é amante do presidente ou, sei lá, é um homem que trocou de sexo. Ou seja, é muita coisa ao mesmo tempo, o que vai tornando a coisa completamente inverossímil. Pra completar, tem algo estranho na Toni Colette, que normalmente é uma atriz competente, mas aqui está quase tão careteira e irritante quanto a Claire Danes em “Homeland”. Pelo menos o Dylan McDermott, que às vezes cai na canastrice, achou o tom certo entre o charmoso e o ameaçador, enquanto o Tate Donovan capricha no ar moralmente dúbio do marido. Vou continuar assistindo por enquanto, mas sei lá quanto tempo aguentarei.

Hostages

Por sua vez, “The Blacklist” (NBC) funciona muito melhor justamente porque já deixa claro desde o início a que veio: o que importa aqui não é o “caso da semana”, ou seja, o crime que será cometido ou impedido (que até pode ser complicado demais ou difícil de entender), mas sim o relacionamento entre os personagens centrais e o mistério que os une. Raymond “Red” Reddington (James Spader, claramente se divertindo à beça no papel) é um criminoso que se entrega voluntariamente ao FBI e promete entregar as cabeças dos bandidos mais procurados do mundo, um por um, em troca de imunidade; Elisabeth Keen (a bela Megan Boone) é a agente novata que ele escolhe para ser seu único contato. A relação tem inicialmente um que de “O Silêncio dos Inocentes”, é verdade, mas essa sensação logo se dissipa, já que Red claramente tem alguma ligação misteriosa com a garota (o que não acontece entre Hannibal Lecter e Clarice Sterling) e é isso que ela e o público terão que descobrir conforme os episódios forem se desenrolando. Além do suspense, o bom humor também impera na série, graças ao tom irônico típico de Spader, o que tira um pouco do peso que poderia estragá-la caso se levasse a sério demais. Sinal de que tudo está no caminho certo é que a emissora já confirmou a primeira temporada completa. Ah, pra quem estava se perguntando onde estaria o Mike de “Homeland”, a resposta está aqui: o ator Diego Klattenhoff é um dos agentes do FBI que dão uma ajudinha pra Elisabeth.

The-Blacklist

Master of Sex: A  /  Hostages: C+  / The Blacklist: B

Sobre rodrigohaddad

Rodrigo Haddad é advogado, escritor, ator e diretor de teatro
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