Sangue Bom – Um balanço da primeira semana

sangue bom - elenco

(os ótimos protagonistas da novela: Humberto Carrão, Isabelle Drummond, Fernanda Vasconcellos, Jayme Matarazzo, Sophie Charlotte e Marco Pigossi)

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Vou exercer meu lado noveleiro (que andava adormecido) pela primeira vez nesse blog. “Sangue Bom”, nova novela das 7 da Globo, estreou na segunda-feira com um primeiro episódio quase perfeito, foi previsivelmente ficando menos espetacular ao longo da semana e voltou ao nível da estreia no sábado. O saldo final foi bem acima da média e bastante promissor.

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Pontos positivos:

1) O sexteto protagonista, todos muito bem, com destaque pra química entre a dupla Marco Pigossi e Isabelle Drummond. Pigossi, aliás, mostra pra certos galãs que dá pra fazer um mocinho bonzinho e idealista com carisma e sem ficar chato, enquanto Isabelle esbanja “adorabilidade” (existe essa palavra?) ao combinar na dose certa a doçura e a “casca-grossice” (acho que também inventei essa) necessárias à personagem, meio moleca e visivelmente platonicamente apaixonada pelo melhor amigo. Sophie Charlotte, se não tem a mesma excelência dos outros dois, não compromete e por enquanto segura bem a personagem mais difícil da novela: a patricinha badalada pela mídia que na aparência é uma pessoa fútil  e interesseira mas que no fundo ainda é a menina boa de infância pobre (mesmo tentando esconder isso a todo custo). Bem diferente é o personagem do Humberto Carrão, que é ruim e mesquinho mesmo e parece não ter salvação (o ator, que evoluiu muito desde que surgiu em “Malhação”, está bem como o por enquanto único vilão claro da novela). Jayme Matarazzo é outro que cresceu como ator e o personagem dele, aparentemente um antagonista do mocinho (já que é o noivo da garota que ele ama), dá pinta de que vai ser igualmente querido pelo público, que vai torcer pra ele ficar com a outra mocinha, vivida pela Fernanda Vasconcellos. Fernanda, por fim, teve um grande capítulo inicial mas depois ficou meio de escanteio, aparecendo meio que como a “força moral” da novela, até reaparecer com mais destaque no sábado. Tomara que a personagem cresça, ainda mais porque a atriz demonstra ter mantido a maturidade que já havia revelado na primeira protagonista que fez (em “A Vida da Gente”).

2) O ritmo ágil, dando a entender que as coisas vão acontecer rápido, sem aquela enrolação típica das novelas antiquadas.

3) A linguagem jovem, sem soar forçada e falsa como na maioria das obras do gênero (pelo menos por enquanto).

4) Ainda que muitas das situações e tramas não tenham nada de novo, os autores (e colaboradores) conseguem pelo menos dar uma roupagem nova a elas, além de saberem brincar com os próprios clichês que usam (exemplo: ao descobrir que o mocinho Bento vai entregar flores justamente na festa de noivado da mocinha Amora, o personagem do Daniel Dantas diz: “Não é possível, isso só acontece em novela”) e buscarem algo que fuja do esperado (exemplo: o vilãozinho, ao ser confrontado pela polícia, vê a mãe assumir o roubo em nome dele e aproveita pra abandoná-la e fugir, em vez de se comover e ajudar a mãe, o que seria previsível). Muito disso decorre dos (muito bem escritos) diálogos, espertos e espirituosos, num estilo visto mais em seriados do que em novelas quadradonas.

5) A trilha modernosa, recheada de hits internacionais “do momento” (tem Fun, The Lumineers, Calvin Harris e outros), e o cenário paulistano, sempre um grande diferencial (mesmo já tendo sido visto na novela anterior, “Guerra dos Sexos”);

6) A Letícia Sabatella, linda e ótima como sempre, mesmo fazendo uma mulher apaixonada pelo marido (Bruno Garcia, ambíguo e divertido) que vive falando do amor incrível que eles sentem um pelo outro.

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Pontos negativos:

1) Se os jovens protagonistas mostraram ter merecido os papeis que ganharam, o mesmo não dá pra ser dito de alguns dos outros atores novatos coadjuvantes (alguns nem tão novatos assim). A exceção é o núcleo dos filhos adotivos da Bárbara Ellen (a atriz peruona e fútil vivida pela Giulia Gam numa mistura de Suzana Vieira com Norma Desmond), quase todos muito bons.

2) O sotaque “paulistanês” forçado de alguns atores (como o do Joaquim Lopes, por exemplo).

3) O número excessivo de personagens, alguns dos quais ainda nem (ou mal) apareceram (incluindo o Felipe Camargo e a Yoná Magalhães), o que pode levar ao mesmo problema visto em “Salve Jorge” (o sumiço e/ou mal aproveitamento de atores);

4) A Malu Mader, meio esquisita num papel de pobre (mas a esquisitice foi diminuindo um pouco ao longo da semana, então acredito que ela logo chegará ao tom certo).

5) O Rômulo (ex-Arantes) Neto, insuportável tanto no personagem quanto na atuação e o maior exemplo do que destaquei no item 1 acima – aliás, se a Renata (personagem da Regiane Alves) cair no papinho dele e largar o noivo bonzinho e bacana (o bom Armando Babaioff), eu paro de ver a novela.

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É isso. Torço pra que a novela continue no mesmo nível dessa primeira semana (e que o bom nível seja mantido na próxima estreia da emissora, “Amor à Vida”, que parece bem promissora também).

Sobre rodrigohaddad

Rodrigo Haddad é advogado, escritor, ator e diretor de teatro
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